Modelo coworking em órgãos públicos funciona?

Modelo coworking em órgãos públicos funciona?

março 19, 2019 0 By Jaqueline Bassetto

Por Eduardo Machado*

Eles existem no Brasil há cerca de uma década, mas foi nos últimos três anos que vimos crescer vertiginosamente o número de espaços compartilhados para trabalho, os chamados coworking. Para se ter uma ideia, segundo levantamento do site Coworking Brasil, em 2015, haviam cerca de 238 espaços ativos no país. O número, conforme o último mapeamento, divulgado em 2018, é cinco vezes maior, chegando a 1.194 espaços. Desses, 88 estão em Santa Catarina.

O coworking vai muito além de um espaço amplo e compartilhado. É todo pensado para oferecer comodidade, funcionalidade e conectar pessoas, seja com ideias ou possibilidades. O modelo de negócio estrutural está influenciando o futuro do mercado de trabalho. As empresas não só estão migrando para esses locais, como estão implantando essa ideia dentro das suas estruturas. E já pensou esse modelo em órgãos públicos? Isso é possível e já é colocado em prática.

Recentemente no Badesc, inserimos nova forma de gestão, iniciando pelo layout da sala do presidente. O ambiente que antes abrigava somente a mesa do diretor-presidente e sofás para recepcionar as visitas, foi transformado na sala compartilhada da Diretoria, permitindo mais transparência e agilidade na tomada de decisões. A iniciativa teve investimento zero e já apresenta resultados importantes, como a redução de custos com secretárias (quatro para duas) e a decisão de propostas que antes era feita individualmente agora é realizada em conjunto. Esperamos que ações simples gerem grandes transformações, com foco no benefício ao cliente, empreendedor catarinense, que precisa obter os recursos financeiros para financiar seus projetos com agilidade e sem burocracia.

Na Agência, gerentes, funcionários e estagiários de alguns setores já compartilham espaços, sem distinção. Isso permite um ambiente aberto de comunicação, circulação livre de ideias além de mais integração e produtividade, tornando o trabalho mais estimulante.

O dia a dia em uma instituição financeira é denso, envolve diversas questões que não dependem somente das nossas decisões, como a gestão de contratos, financeira, de pessoas, das operações, dos indicadores, dos resultados, entre outras, sem perder o olhar para o mercado e seus cenários incertos.

Para propiciar aos funcionários um ambiente mais confortável e aberto ao diálogo, abrimos nossas portas de forma coletiva. Porque quando temos um propósito é preciso que ele pulse também nas pessoas que fazem acontecer diariamente, ou seja, a equipe. Ao aderir a esse modelo de trabalho, aumentamos nossa produtividade e também instigamos os colegas a criarem, produzirem, acreditarem naquilo que estão entregando e na instituição que representam.

*Eduardo Alexandre Corrêa de Machado é diretor-presidente do Badesc